Os deuses estão entre nós nesse principal romance do camaleão |Resenha|

Neil Gaiman é um camaleão literário. Em quadrinhos, livros infantis e romances adultos, ele nos brinda com sua genialidade. Deuses Americanos (2001) não está fora do seu padrão de excelência. O quarto romance de Neil Gaiman mescla a realidade americana, o american way of life, com antigas mitologias já esquecidas. A obra é considerada um dos pilares de sua literatura.

No livro, deuses são entidades distintas. Seu surgimento parte da veneração humana: vitória na guerra, proteção familiar, ou, como é comum na modernidade, permanecer horas na frente de uma televisão. Já a narrativa conta o trajeto do ex-detento Shadow, que pretende voltar com sua vida comum. Porém, ao receber a notícia da morte de sua esposa, o seu destino se transforma. Ele conhece o misterioso Sr. Wednesday, que lhe propõe ser seu guarda-costas e o acompanhar em suas viagens. Shadow não tem mais nenhum vínculo com ninguém e precisa de um emprego, sendo assim, decide aceitar a oferta.

Ao longo da história, passada em diversas cidades e estradas americanas – road book -, Shadow se encontra inserido na realidade dos deuses. Os antigos estão lutando pela sua sobrevivência em um mundo cético, tendo que se adaptarem ao american way. Uma tempestade está chegando, mitologias antigas entram em choque com as divindades do século XXI, como a Mídia. É interessante a forma como Gaiman introduz tais mitologias na América. O autor utiliza-se de relatos como a chegada dos vikings e dos escravos africanos ou devido aos avanços tecnológicos e a cultura de massa. É necessário uma pesquisa para entender cada uma das divindades citadas pelo autor, pois muitas não pertencem ao conhecimento comum mitológico – diferente, por exemplo, das sagas juvenis de Rick Riordan. Enquanto Riordan constrói suas narrativas sobre mitologias conhecidas – grega, nórdica e egípcio -, Neil Gaiman busca fazer referência além delas, entrando também em território africano, eslavo, árabe e hindu.

As personagens do livro são extremamente carismáticas e os mistérios que as circundam fazem você devorar o livro. Com diversas referências, sejam da cultura pop e de obras renomadas, ele abraça momentos tanto dramáticos quanto cômicos. O discurso utilizado por Neil Gaiman é tão envolvente quanto sua história. Ele é dinâmico e simples, mas não desmerece a narrativa, completando-a.

Resenha: Karen Krieger
Fotos: Divulgação

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