Livro é fruto de colaboração dos autores John Green e David Levithan |Resenha|

Homofobia, depressão, angústia, autoconhecimento, amizade e amor. Temas polêmicos, porém, de extrema relevância para o público jovem leitor de “Will Grayson, Will Grayson”. Publicado em 2010 nos Estados Unidos,  o livro é resultado de uma parceria entre os autores John Green (A Culpa é das Estrelas) e David Levithan (Todo Dia). Cada escritor escreve sobre o ponto de vista de um Will Grayson, e os capítulos com cada perspectiva se alternam ao longo da obra. As diferentes formas de escrever de Green e Levithan resultam em um contraste evidente entre as personagens. Além disso, ressalta-se ainda que o livro foi o primeiro de tema LGBT para jovens adultos a fazer parte da lista de best-seller do The New York Times.

A obra conta a história do encontro de dois adolescentes que se chamam Will Grayson. Apesar do nome em comum, os dois personagens diferem em muitos aspectos de personalidade e vivência. A perspectiva de Will Grayson 1 é a de um estudante heterossexual reservado e que tem como melhor amigo Tiny Cooper. Tiny é descrito como “a pessoa mais larga do mundo que é muito, muito gay” e a “pessoa mais gay do mundo que é muito, muito larga”, e seu jeito extrovertido e musical é oposto ao de Will de uma forma exagerada e cômica. Enquanto isso, Will Grayson 2 é um jovem homossexual e deprimido. Ele encontra na comunicação com Isaac – que conheceu online – um alívio a sua existência e aos seus pensamentos de raiva e angústia. A narrativa se passa em Chicago e gira em torno do musical Tiny Dancer, feito por Tiny Cooper sobre a própria vida.

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Pessoalmente, o que é fascinante na obra não é somente a narrativa bem escrita, a colaboração de dois autores renomados do gênero jovem adulto ou até mesmo a construção de personagens tão marcantes. O que é cativante na leitura foi a possibilidade de identificação do público leitor para com as diversas experiências vivenciadas na história. Nesse sentido, um brasileiro de 16 anos que sente sua orientação sexual como algo que deve ser reprimido pode encontrar nos personagens gays uma forma de redenção para seu sofrimento. Um universitário que lida com um amor não correspondido pode se simpatizar com Maura, que nutre uma admiração por Will 2, que é homossexual.

Por trás de todos os exageros e dramatizações do amigo de Will Grayson, Tiny Cooper – que escreve e dirige o musical “Tiny Dancer” -, percebe-se um jovem muito real, que lida com questões reais de uma forma artística. E¸ no final das contas, cada adolescente supera seus dramas e situações de sua forma, seja transformando-os em potencial criativo ou escapando para um chat online com o “crush”. Logo, por mais caricaturados que sejam os protagonistas, o leitor consegue se identificar, consegue formar um laço de empatia com as histórias retratadas.

“Will Grayson, Will Grayson” é original, engraçado, triste e, sobretudo, cru. Cru porque não tem medo de abordar as verdadeiras preocupações dos jovens – assim como os demais livros de John Green, que tratam de assuntos importantes como câncer e problemas mentais. O leitor ri de situações tristes e absurdas, porque sente o desespero do protagonista, e sente porque a história é extremamente verossímil com a vida real. Por conseguinte, o livro pode ser visto como um esforço mimético, bem-sucedido e sem censura, dos problemas e angústias vivenciados por adolescentes diariamente. E essa é a beleza da literatura: a oportunidade que ela oferece de redenção, de fuga da realidade, e, ao mesmo tempo, de identificação e empatia com as experiências descritas na ficção.

Resenha: Elissa Taublib
Fotos: Divulgação

 

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