Jovem escritor acredita que a necessidade de credibilidade com editoras dificulta a publicação de novos nomes |Entrevista|

Um grande obstáculo de um autor jovem é a dificuldade em publicar seu livro em editoras brasileiras. Por essa razão, cada vez mais escritores têm optado pela autopublicação. Esse é o caso de Nathanael Carvalho, estudante de 20 anos que lançou em janeiro sua primeira obra nos Estados Unidos, “The Forgotten Land of Myria: The Quest for the Vermillion”. Ele acredita que existem vários desafios para brasileiros serem cotados pelo mercado editorial e destaca a credibilidade como o principal desafio. Esse foi um dos motivos que fez o estudante lançar seu livro de fantasia fora do país, pois acreditava que chamaria a atenção do mercado brasileiro. Fã de J.R.R Tolkien e C. S. Lewis, Nathanael afirma que detestava a literatura. No entanto, por influência da família, que tem autores como a tia Miriam Leitão, o jovem “desenvolveu um gosto pela leitura”.

Bolha Literária: Como foi a saga para  publicar um livro sozinho?

Nathanael: Foi duro, mas não consigo lembrar de algum momento em que eu tenha pensado seriamente em desistir. Talvez a minha inocência e ignorância em relação ao universo editorial me pouparam. Eu estava mais preocupado em escrever uma história que eu gostaria de ler. Claro que o sonho é que essa história seja lida por todos, mas como eu não fazia a mínima ideia de como era o processo, eu fui levando. Quando chegaram os impasses, eu já tinha caminhado tão longe que não foi tão difícil continuar.

Bolha Literária: Na sua opinião, qual é o maior desafio para jovens brasileiros escreverem um livro atualmente no Brasil?

Nathanael: São muitos desafios: falta de demanda, inacessibilidade de algumas editoras. Porém, eu diria que o principal desafio é a credibilidade do mercado. Hoje temos uma vasta gama de conteúdo industrial. O maior exemplo disso são os youtubers lançando livros. Já ficou claro que alguns não são nem escritos pelos próprios youtubers. Estes são os best-sellers de hoje no nicho infanto-juvenil, muito mais sustentados pela popularidade do youtuber do que pelo conteúdo. Somando isso à falta de demanda e à super-saturação do mercado hoje em dia, encontramos um cenário a princípio desfavorável para um jovem escritor que ainda não entrou no circuito (o que não significa que devemos perder esperança).

Bolha Literária: O que é preciso para poder publicar sozinho um livro hoje em dia?

Nathanael: Basicamente, perseverança e coragem. Hoje em dia, existem diversos recursos online que possibilitam a publicação sem ter que, de cara, costurar o seu caminho até uma editora. Recursos como a plataforma de publicação da Amazon, permitem que você tenha o seu livro disponível em lojas virtuais e impresso sob demanda com um clique. Claro, tudo isso pede um processo mais trabalhoso de edição e revisão, que fica por conta do autor.

Bolha Literária: Como foi escrever um livro todo seu? Você estabeleceu um ritmo para escrever? 

Nathanael: Foi um presente. Acho que é a melhor forma de definir. A ideia do livro veio em uma época bem turbulenta da minha vida, então achei nele uma válvula de escape. Na tentativa de fugir da realidade, investi tanto tempo e pensamento naquela ideia – que a princípio era só uma ideia – que a coisa foi se desenrolando. Hoje tenho um mundo fictício na minha cabeça que estou louco para compartilhar com as pessoas. E isso é uma sensação incrível. É um tipo de coisa que só a ficção é capaz de fazer. Quanto ao ritmo, eu ia na base da paixão mesmo. Escrevia porque gostava; no final eu tive que me policiar um pouco para não perder a pegada mas foi tranquilo. Por ser uma história contada com três narradores muito diferentes, em termos de personalidade, o estilo oscila ao longo do livro, o que também foi bem divertido em termos de produção.

Gostou da entrevista? Essa é a primeira de muitas que ainda vão vir. Autores, editores, designers de capas, tradutores… O universo literário tem diversos personagens com ótimas histórias para contar. Qual deles vocês gostariam que o Bolha entrevistasse? Não se esqueça de seguir o site no Facebook. Até a próxima!

Entrevista: Nathália Afonso
Foto: Laila Nuñez

2 comentários Adicione o seu

  1. Andrea Cabral Dusi disse:

    Gostei da persistência e do foco em perseguir e prosseguir com os sonhos independente das situações externas. Os nossos jovens precisam de exemplo como do autor.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Entendemos que o mercado editorial tem suas dificuldade, mas os autores que estão começando agora não deveriam se sentir coagidos. O Nathanael é um grande exemplo para esses outros escritores que estão tentando lançar suas obras. Se ele conseguiu, por que outra pessoa não conseguiria?

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