Um romance sobre a culpa religiosa na América inglesa |Resenha|

O livro A Letra Escarlate é considerado um clássico desde sua primeira edição em 1850. O romance do americano Nathaniel Hawthorne (1804 – 1864) foi um dos pioneiros a introduzir o tema do puritanismo na literatura gótica. As paixões humanas são sempre abordadas, mostrando sua fraqueza diante delas com uma visão religiosa.

A história começa com a punição de Hester Prynne, culpada pelo crime de adultério e obrigada a carregar a Letra Escarlate em seu peito pelo resto de seus dias. A religião puritana estava em sua fase extrema: o período da caça às bruxas. Assim, a culpa e a perseguição religiosa são fatores comuns na sociedade colonial. Pressionada para revelar o nome de seu amante, Hester resiste ao seus juízes e permanece em silêncio, pois apenas sua pena foi suavizada por causa da criança que surgiu desse pecado.

Inicialmente, Hester é apresentada como uma personagem orgulhosa durante a sua exibição pública em um palanque, início de sua punição. Ela tenta não se deixar abalar pelos olhares estranhos, tenta não transparecer seu sofrimento com um semblante de firmeza. Nesses primeiros capítulos, Hester é introduzida como uma figura feminina forte para o leitor. Contudo, após seu julgamento e durante a tentativa de se reintegrar na vida social da comunidade de Massachusetts, Hester acaba se tornando uma figura frágil e apagada pela culpa. Hester tenta ser o mais invisível possível no dia a dia. Ao olhar para Pearl, sua filha, ela apenas relembra o fardo vermelho que ela carrega no seio, o que engrandece ainda mais a culpa de seu pecado. Sua personalidade continua do mesmo jeito pelo resto do romance, distante da jovem determinada dos capítulos iniciais.

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Dessa forma, uma trama que poderia ter uma personagem forte lutando contra a sociedade preconceituosa de sua época se torna o sofrimento constante de uma mulher subjugada pela comunidade em que vivia. Não há uma mensagem de mudança de paradigmas forte, mas uma de a influência dos estigmas religiosos na vida humana, tanto em comunidade quanto individual.

Resenha: Karen Krieger
Fotos: Divulgação

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