Colcha de retalhos feita de memórias na obra do americano Craig Thompson |Resenha|

É inegável, história em quadrinhos é literatura. As ilustrações complementam o texto, criando uma integridade na obra. Não são apenas super-heróis como Homem-Aranha, Capitão América e Batman que pertencem a esse universo. Histórias reais também podem ser contadas nos quadrinhos. É o que o autor e ilustrador Craig Thompson realiza em seu graphic novel autobiográfico Retalhos (2003). No quadrinho, ele representa sua trajetória desde a infância até a vida adulta, montando um retrato do Meio Oeste americano.

Thompson viveu na zona rural de Wisconsin, onde o cristianismo é um agente social ativo. Seus pais eram cristãos devotos e rígidos. Deus lhe era apresentado desde criança como uma força punitiva, as passagens trágicas da Bíblia o assombravam. A intolerância é uma marca muito forte na comunidade onde vive. Seus impulsos criativos para desenhar eram castrados pela crença. A relação com seu irmão era um escape dessa opressão que o envolvia. Porém, ao longo de seu amadurecimento os dois se distanciam.

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Contudo, algo bom veio desse ambiente. Foi no acampamento cristão que ele conheceu Raina, o seu primeiro amor. Ela era uma jovem de alma poética que ajuda Thompson a se questionar sobre seus  antigos valores morais, como religião, família e amor. Ele descobre sua desilusão com tais ideais. É quando também ocorre sua libertação artística.

A arte do quadrinho é tão sensível quanto seu texto, refletindo as emoções trágicas e amorosas do autor. Apesar de ser em preto e branco, a falta de cores passa despercebida dentro de tantos detalhes expressivos em cada página. Retalhos traz uma reflexão profunda sobre a moral imposta durante a nossa criação, incentivando o pensamento próprio ao invés de assimilar tudo como verdades absolutas. A obra foi ganhadora de três prêmios Harvey Awards (2003), dois Will Eisner Comic Industry Awards (2003), um Ignatz Award (2003) e um Prix de la Critique (2005). Além disso, também foi traduzida em 14 línguas.

Resenha: Karen Krieger
Fotos: Divulgação

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