Falta de recursos foi um dos desafios da FLIST deste ano |Entrevista|

A Festa Literária de Santa Teresa (FLIST)  vai trazer para o bairro do centro diversas atrações voltadas para literatura e entretenimento. Em entrevista, a curadora do evento Ninfa Parreiras  afirmou que este ano a festa teve falta de recursos. Segundo ela, isso resultou no enxugamento de atrações e locações. A nona edição do evento vai focar no protagonismo feminino. As  autoras Conceição Evaristo e Graça Lima foram as escolhidas para serem homenageadas. Além disso, a festa também vai destacar algumas datas importantes. A cantora Violeta Parra, que teria feito 100 anos neste ano, a brasileira Cássia Eller, que completaria 55 anos, e Tom Jobim, que teria feito 90 anos, serão prestigiados no evento. A organizadora da FLIST Ninfa Parreira deu uma entrevista exclusiva ao Bolha:

Bolha Literária: Como foi feito o planejamento da FLIST deste ano?

Ninfa: Começamos a planejar a FLIST 2017, logo que encerramos a de 2016, mais precisamente em junho de 2016. Havíamos decidido homenagear as mulheres, com foco no empoderamento e no protagonismo feminino. Escolhemos uma escritora negra, mineira, de origem humilde que cresceu por causa do estudo e do trabalho. E escolhemos uma ilustradora carioca, com amplas experiências e reconhecimentos. As duas representam as mulheres. Inscrevemos a FLIST no edital de concorrência pública Fomento à cultura do Rio de Janeiro, na Secretaria Municipal de Cultura. Fomos agraciados, mas a SMC não está liberando verbas de projetos aprovados na gestão anterior. Desde os primórdios, a FLIST conta com o apoio financeiro da Prefeitura. Este ano, mantivemos a parceria realizando a FLIST no Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas. O Centro Educacional Anísio Teixeira – CEAT – assumiu os custos necessários e básicos. Tivemos que enxugar serviços, reduzir espaços e custos. E contamos com inúmeras parcerias institucionais e pessoais.  Aos poucos, no início de 2017, fomos ajustando nosso planejamento às possibilidades do CEAT e do nosso empenho e trabalho.

Bolha Literária: Qual foi a parte mais desafiadora para organizar a FLIST de 2017?

Ninfa: Foi a falta de recursos financeiros e lidar com tantas frentes de parcerias. Todos estão trabalhando sem receber ajuda de custo nem pró labore (artistas, escritores, ilustradores, artesãos, músicos, atores, contadores de histórias). Outro desafio a destacar é o fato de darmos voz e espaço a grupos minoritários, tradicionalmente, sem reconhecimento público. Muitos deles nem sequer têm livros publicados, o que dificulta a divulgação, a parceria etc.

Bolha Literária: As homenageadas deste ano são as autoras Conceição Evaristo e Graça Lima. Por que as escolheram para serem prestigiadas?

Ninfa: São representantes de tantas outras mulheres. Ambas cresceram como profissionais pelo estudo e trabalho que executam. Ambas têm mais de trinta anos de atuação na literatura, são consagradas com prêmios, homenagens, lidas em outros países. E ambas contam com uma produção de qualidade estética, com comprometimento social, ético e político, sem serem panfletárias.

A imagem pode conter: 5 pessoas, pessoas no palco e texto

Bolha Literária: A FLIST vai ter diversas atrações. Qual delas você está mais ansiosa e por quê?

Ninfa: Fico na torcida para que tenhamos público e para que os convidados se apresentem com sucesso em todas as atividades no Parque das Ruínas e em outros pontos do bairro. Preparamos uma programação variada, para atender a pessoas de todas as idades e de interesses diferentes. Literatura, música, teatro, dança, artes plásticas, artesanato, gastronomia, livros, biblioteca, tudo isso junto, a serviço de um congraçamento de pessoas em torno à palavra. Estou na expectativa que as novidades aconteçam agradando ao público:

  • o circuito cultural-gastronômico, em parceria com 05 restaurantes.
  • os cantos temáticos: indígena, afro, da moda, gastronomia, astronomia, bordado: exposições e mini oficinas de um trabalho realizado pelos alunos e professores do  CEAT.
  • lançamento de 2 livros pelo selo Edições da Torre (acabamos de criar este selo no CEAT).

Na contramão do que tem acontecido no mercado editorial, o CEAT lança 2 livros com recursos próprios, sem fins lucrativos e com produções dos alunos.

Bolha Literária: Como você classificaria a quantidade e qualidade de eventos literários no Rio de Janeiro?

Ninfa: Nos últimos 10 anos, cresceram muito os eventos literários pelo país. O mercado editorial estava aquecido, a malha aérea estava em funcionamento dinâmico, muitos  editores despontando e com disponibilidade de se deslocarem. E os editais públicos para financiamento de projetos dos governos federal, estaduais e municipais estavam em funcionamento e com recursos. Agora vivemos uma crise, editoras fecharam, editais suspensos, etc. Com isso, a grande quantidade de eventos vai se firmar com a boa vontade das pessoas e a mudança de mentalidade. Vamos trabalhar e receber menos. Vamos fazer parcerias e trabalhar por um planeta mais sustentável. Isso é o que estamos fazendo na IX edição da FLIST!

Bolha Literária: A FLIST tem alguma relação com a FLIP, além do fato de ambas serem eventos literários?

Ninfa: Somos independentes. A FLIP inspirou muitos a criarem seus festivais e festas literárias. A Flist surgiu do trabalho com a literatura no CEAT, quando acontecia o evento literário dentro da escola. O evento foi crescendo, crescendo… Aí surgiu a ideia de se fazer uma festa literária fora do CEAT, aberta às famílias. A primeira edição foi em 2009, no Largo dos Guimarães. A partir de 2010, no Parque das Ruínas e em outros espaços de Santa. A FLIST é aberta ao público, de todas as idades e de todas as cidade. As atividades são gratuitas (diferente da FLIP, onde a maioria das atividades são pagas) e mostram a conversa da literatura com outras artes, artesanias etc. A FLIST é um movimento de resistência, quando o CEAT, com seus educadores, alunos e parceiros, apresenta atividades que falam do nosso momento e da ficção, daquilo que nos alimenta no dia-a-dia: a fantasia. A FLIST oferece leitura e literatura para muitos que não costumam ter acesso. Por se apresentar em um espaço público, ela se firma como uma congregação literária de muitas pessoas. São cerca de 20 mil o público nos 2 dias em Santa Teresa, por conta da FLIST. São 09 anos de FLIST.

A FLIST vai acontecer neste fim de semana (20/05 e 21/05) das 10h às 18h. A festa vai acontecer em diversos pontos de Santa Teresa, porém muitas atrações serão concentradas no Parque das Ruínas.

Entrevista: Nathália Afonso
Fotos: Divulgação

13 comentários Adicione o seu

  1. Analu Andrade disse:

    Eu nunca tinha ouvido falar dessa Flist. Mas, foi legal conhecer um pouco mais sobre ela, e sobre o tema deste ano.

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  2. Olá.
    Pelo nome também achei que tive relação com a FLIP, gostei de saber como ele surgiu ainda mais sabendo que veio de uma escola.
    Beijo

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  3. Gislaine disse:

    Não conhecia esse evento literário – até porque não sou do RJ -, mas achei a iniciativa dos organizadores muito bacana. É uma pena que eles tenham tido problemas com financiamento, é importante manter esses eventos vivos!
    Literalize-se

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  4. graziela disse:

    O ato feminismo está super em alta, e da um orgulho tão grande ver assuntos como esses cada vez mais em eventos, como este que vai falar sobre ,protagonismo feminino ❤ AMO não conhecia esse evento, uma pena não ser perto de mim..

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  5. Stéfani disse:

    Que legal esse evento, eu nunca tinha ouvido falar.

    Beijos!

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  6. Não conhecia, para ser sincera, mas gostei de saber um pouco mais sobre o evento e os organizadores em si ♥ Quando passamos a precisar de verbas ou ajuda de parceiros e prefeitura tudo acaba se tornando muito mais complicado, né? A falta de recursos se torna esperada, mas tomara que haja sempre disposição e novas opções para que se mantenha ativo.

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  7. hérica disse:

    Nunca ouvi falar desse evento porém achei muito bacana sua entrevista e a forma como decorreu. parabéns 😙😙

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  8. Dud's disse:

    Puxa, não conhecia e fiquei muito intressada pela Flist. Espero que atinjam os objetivos 🙂

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  9. Malu Silva disse:

    Gostei muito do post. Infelizmente é uma realidade de muitos eventos culturais e literários a dificuldade para conseguir recursos. Mas é um desafio que vale a pena encarar! Adorei a entrevista ❤

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  10. Falta de recursos é sempreum problema para esse tipo de evento, admiro muito quem organiza, pois tem um baita trabalho para fazer acontecer!
    Beijos
    Mari
    http://www.pequenosretalhos.com

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  11. Oie, tudo bem? Apesar de poucos recursos acredito que o evento deve ter sido incrível. Só de pensar em participar já fico com friozinho na barriga, é bom demais estar perto de outras pessoas que gostem de literatura tanto quanto nós. Beijos, Érika =^.^=

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  12. ooi! Não conhecia esse evento, mas a iniciativa dele é muito legal!
    Infelizmente, a falta de verba tem atrapalhado tantas coisas boas, mas acredito que no final, isso não passou de um detalhe
    Adorei conhecer mais sobre o projeto, parabéns ❤

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  13. Entrevista bacana e super informativa. Não conhecia o evento. Parabéns pela iniciativa em mostrar pra gente essas novidades! ❤️

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