Amor à moda nova |Resenha|

“Amor à Moda Antiga” (2016) é , até agora, o último livro de poesia de Fabrício Carpinejar. O cronista do amor ficou três meses no bairro de Petrópolis, em Porto Alegre, escrevendo uma poesia por dia. Foram 90 textos feitos em uma Olivetti Lettera 82, verde-esmeralda, que ganhou de aniversário. Eles não passaram por nenhuma revisão, edição ou digitalização. Alguns estão tortos. Outros, corrigidos à caneta. Todos com muita paixão.

Carpinejar escreve sobre amor. Mas, seu jeito entusiasta, até na fala, é de um homem eternamente apaixonado. Aquele homem ambicioso, inquieto, que pode buscar holofotes só para aparecer para sua amada – quem nunca? Ele sabe que relacionamento é tarefa árdua e diária. E, que amar, é estar sempre em desconstrução pessoal. Lembro-me, neste momento, do texto de Juan Gelman que começa com a pergunta “Amor que serena, termina?”. Certamente, a resposta de Carpinejar seria a mesma do poeta argentino: começa?

Amor que serena, termina?

começa? que nova

velhice o espera para viver?

qual fulgor? amor surgindo

Mesmo sendo “Amor à Moda Antiga”, as poesias lembram essas que circulam nas timelines da vida. Aqueles poemas de Instagram, à la @zackmagiezi – curtos, diretos e profundos. Perfeitos para quem pega ônibus ou metrô. E para quem quer sair um instantinho da vida real. Leia um, feche o livro e olhe para a janela. O amor resiste nos tempos de crise.

Fabrício Carpinejar é filho de Carlos Nejar, poeta, ficcionista e crítico literário dos Pampas. Enquanto o pai um intelectual respeitado e muito sério, Fabrício aparenta ser o oposto.

Nejar conta que, na infância, foi muito solitário. Sempre cercado de livros, a sua família até o blindava de coisas práticas por acharem que ele não tinha senso de realidade: “tive que tirar, escondido, a carteira de motorista”, relatou o pai no documentário “Dom Quixote dos Pampas” – sobre ele mesmo. Já Carpinejar é mentecapto. É vivido. Permitiu-se ao amor e por isso o escreve. Diz que, quando conseguir se definir, deixará de ser poeta.

Tomara que isso demore.

Resenha: Gabriel Dias
Fotos:Divulgação

 

5 comentários Adicione o seu

  1. Kelly Christi disse:

    Eu adoro as crônicas e poesias do Carpinejar, mas confesso que não gosto de todos os livros dele ou de tudo o que ele faz, algumas coisas me cansam demais rs. Sua resenha foi na medida, sem exageros e me instigou a conhecer mais deste livro que deve ser esteticamente diferente do que o autor já fez e cá pra nós: ele sabe falar de amor. Bj.

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  2. Oi Gabriel!!
    Eu acho os textos de Carpinejar incríveis. Não costumo ler os livros dele, mas leio os textos soltos de crônicas e poesias. Acho ele o maior figurão rsrs
    Parabéns pela bela resenha.
    Bjs
    https://almde50tons.wordpress.com/

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  3. Dayane Reis disse:

    Olá!
    Fabrício Carpinejar é bem engraçado nas redes sociais e um bom autor. Não conhecia esse novo livro de poema dele. Pela poesia citada realmente apresenta ser “curtos, diretos e profundos” e lembra mesmo instagram. A resenha sua ficou muito boa, anotei a dica. Amei o que disse em: “Permitiu-se ao amor e por isso o escreve. ” Beijos’

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  4. Olá ! Tudo bom?
    Não conhecia o autor, mas parece ser ótimo, e muito cômico. Fiquei bem satisfeita com sua resenha. Obrigada pela sugestão e parabéns.
    Beijos.

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  5. Eu fiquei muito curiosa para ler, e especialmente para ver como o livro é por dentro, já que não é digitalizado ♥ Deve ser incrível! Já quero ler!

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